17/03/2006
Fotos :
Daniel Kamamoto - Instrutor de vela
MIX confecções
www.mixsportwear.com.br

" Tenho 28 anos, sou engenheiro de formação, mas de segunda à sexta trabalho em minha confecção aonde faço moda, uniformes para eventos e empresas em geral.

Nos finais de semana costumo velejar na "Dick Sail - escola de vela" aonde também sou instrutor há aproximadamente 2 anos.

Ultimamente tenho navegado muito no mar em veleiros oceânicos aonde além de velejar temos a possibilidade de mergulhar, caçar e curricar... etc.

Velejar para mim é uma terapia aonde esqueço de tudo o que me faz preocupar durante toda a semana.

A sensação de caçar o cabo de escota, sentir o vento contra o rosto, ver o barco adernar e ouvir a água fazer aquele burburinho ao passar pelo casco, é realmente uma hora especial.


É para mim um estilo de vida aonde apenas os que já velejaram podem dizer...

Seguem em anexo algumas fotos minhas e de meus amigos."
Um carnaval 2006, regado à bons ventos...
Veleiro Boldró (B&B 35)
Marina Porto Imperial - Paraty

Neste carnaval procurava sossego e a idéia era a de fugir do agito velejando até a Ilha Grande.

A bordo de meu recém adquirido veleiro Boldró, um B&B 35 pés, eu e mais três amigos: Willy, Marcus Paulo e Nando, viajamos até Paraty.

Na primeira noite ficamos na cidade e aproveitamos para visitas a lojas e comer uma boa comida antes de nos aventurarmos no fogão do barco.

Já no dia seguinte de manhã, zarpamos rumo a Ilha Cotia.
Lá, bem abrigados, fizemos nossos primeiros mergulhos e à noite tivemos um churrasco estreando a nova aquisição para o veleiro: “a churrasqueira”.



À noite fizemos um luau que foi acompanhado pelo Nando e Marcus Paulo no violão e o Willy na gaita.

Depois da bagunça ouví uns gritinhos de uma fã do outro veleiro... Uhuuuu!!!
No dia seguinte bem de manhã, zarpamos rumo a Praia de Tarituba (ao lado da Ilha do Breu) já em Angra dos Reis.
Uma vila caiçara bem humilde no meio de um lugar paradisíaco com águas calmas e boa visibilidade.


Durante a navegada fomos acompanhados por um cardume de mais ou menos 30 golfinhos que nos davam boas vindas ao local.

Infelizmente as duas máquinas fotográficas digitais a bordo não conseguiram registrar este momento mágico.
Talvez tivesse dado um "tilt" nos fotógrafos que não sabiam se corriam para ver os golfinhos ou se corriam para pegar a máquina... totalmente compreensível!

Chegando lá pudemos abastecer o nosso tanque de água doce e comprar gelo em lascas para poupar um pouco a energia consumida pela nossa geladeira elétrica.

À noite jogamos ferro ao lado de outros veleiros de amigos meus, que por coincidência lá já estavam ancorados há alguns dias.
Entre eles a Ana e o Yukio a bordo do Astrolábio.
De manhã zarpamos para a Praia do Sítio Forte ( S 23o 17,5' e W 44o 07,3') na Ilha Grande.

Batia pouco vento e muito Sol ... Marcus Paulo sob um delírio da vertigem, avistava uma laje no lugar da marola formada por uma lancha que navegava distante... fazer o quê?
Ao chegar, encontramos muitas lanchas fazendo marolas, jet skis, iates de 80 pés e poucos veleiros...

Fizemos um breve mergulho livre e logo fomos embora... afinal procurávamos sossego!
Chamei pelo VHF outros amigos da ABVC (Assoc. Brasileira de Velejadores de Cruzeiro) que estavam na região, mas não obtive resposta, uma pena!
Partimos rumo ao Saco do Bananal e tivemos uma surpresa: era uma praia povoada só por descendentes japoneses.
Um verdadeiro “Bairro da Liberdade” caiçara.
Quando eu perguntei a um local o por que de tantos japoneses, ele me explicou que o seu avô ao chegar do Japão trouxe o restante da família.
A mesma se expandiu e lá já estão por quatro gerações ... impressionante!
No dia seguinte, nos despedimos de dois amigos da tripulação que teriam que trabalhar na quinta e na sexta feira... êêê laiá....
Eu e o Nando continuamos no Boldró.
Ainda no Bananal, visitamos uma operadora de mergulho chamada Angramar (cel. (024) 7834.8777 - Kazuo).
Foi com eles que eu me informei sobre alguns passeios de mergulho e entre estes está o do helicóptero (8 m.) e o da Ilha de Queimada Pequena (12 m.).
O helicóptero pertencia ao dono da Hotel da Glória, que ao cair, fez vitimar apenas o piloto.
Depois, a aeronave foi vistoriada em terra pela seguradora e naufragado propositadamente na entrada da enseada.
Ambos mergulhos tem muita vida e a visibilidade, no dia a mesma chegava a 20 m.
Tartarugas grandes se aproximaram curiosas, o lugar é muito bonito.
A manhã seguinte, brilhou com muito vento, mais precisamente 20 nós aparentes conforme a estação de vento do veleiro.
Içamos ansiosos a vela e seguimos em uma orça fechada até a entrada do Saco do Céu.

 


Entramos com cautela, afinal o Saco do Céu é um esconderijo na Ilha Grande.
Ao passar pelo estreito canal de entrada, deve-se tomar cuidado com as pedras de ambos os lados.
Para que chega, no centro do saco à esquerda, aflora uma pedra que fica visível apenas na maré baixa.
Vale a pena chegar com baixa velocidade e estudar a carta da região antes de entrar.
Apesar de todos os perigos, é um excelente abrigo e refúgio de ventanias.
Ao chegar, chamamos pelo rádio o Taxi-boat do bar Coqueiro Verde.
Lá comemos uma porção de mariscada não muito bem vinda para o Nando que preferiu ficar só na cerveja e na torrada com vinagrete.
Pernoitamos por lá e no dia seguinte iniciamos a nossa volta partindo rumo a Ilha dos Macacos.


Após jogar o ferro pude avistar um lindo veleiro clássico branco todo construído em madeira que por alí pernoitava.

Pouco tempo depois pude identificá-lo como sendo o Tocorimé (www.tocorime.net/porthome/), uma verdadeira obra de arte.

 
Colocamos as máscaras e mais uma vez mergulhamos dando a volta na ilha, a visibilidade continuava incrível.

Z.arpamos de lá no motor e assim prosseguimos até sair da sombra da Ilha Grande.

Afinal, uma enorme parede nos abrigava do vento.



Ao ganhar distância, a brisa se transformou em vento e logo estávamos velejando a 6 nós rumo a Ilha do Mantimento (S 23o 11' e W 44o 39') com todo o pano.

Chegando em Paraty passei pelo Saco do Jurumirim e depois retornamos para a Marina Porto Imperial aonde tomei uma merecida chuveirada de banho quente e água doce.

Esta simples chuveirada valeu ouro e me fez lembrar de uma passagem que eu recebí de minha amiga Cathy, aonde dizia:
" Um homem precisa viajar, por sua conta, não apenas por meio
de estórias, imagens, livros ou TV".


Precisa viajar por si, com os seus olhos e pés para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor, conhecer o frio para desfrutar do calor, e o oposto; sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver". Amyr Kink.
Não é mesmo?