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Tenho 28 anos, sou engenheiro de formação, mas de
segunda à sexta trabalho em minha confecção
aonde faço moda, uniformes para eventos e empresas em geral.
Nos finais de semana costumo velejar na "Dick Sail - escola
de vela" aonde também sou instrutor há aproximadamente
2 anos.
Ultimamente tenho navegado muito no mar em veleiros oceânicos
aonde além de velejar temos a possibilidade de mergulhar,
caçar e curricar... etc.
Velejar para mim é uma terapia aonde esqueço de
tudo o que me faz preocupar durante toda a semana.
A
sensação de caçar o cabo de escota, sentir
o vento contra o rosto, ver o barco adernar e ouvir a água
fazer aquele burburinho ao passar pelo casco, é realmente
uma hora especial.
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É para mim um estilo de vida aonde apenas
os que já velejaram podem dizer...
Seguem em anexo algumas fotos minhas e de meus amigos."
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Um
carnaval 2006, regado à bons ventos...
Veleiro Boldró
(B&B 35)
Marina Porto Imperial - Paraty
Neste
carnaval procurava sossego e a idéia era a de fugir do
agito velejando até a Ilha Grande.
A bordo de meu recém adquirido veleiro Boldró,
um B&B 35 pés,
eu e mais três amigos: Willy, Marcus Paulo e Nando, viajamos
até Paraty.
Na primeira noite ficamos na cidade e aproveitamos para visitas
a lojas e comer uma boa comida antes de nos aventurarmos no fogão
do barco.
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Já
no dia seguinte de manhã, zarpamos rumo a Ilha Cotia.
Lá, bem abrigados, fizemos nossos primeiros mergulhos e
à noite tivemos um churrasco estreando a nova aquisição
para o veleiro: “a churrasqueira”.
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À
noite fizemos um luau que foi acompanhado pelo Nando e Marcus
Paulo no violão e o Willy na gaita.
Depois da bagunça ouví uns gritinhos de uma fã
do outro veleiro... Uhuuuu!!!
No dia seguinte bem de manhã, zarpamos rumo a Praia de
Tarituba (ao lado da Ilha do Breu) já em Angra dos Reis.
Uma vila caiçara bem humilde no meio de um lugar paradisíaco
com águas calmas e boa visibilidade.
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Durante a navegada
fomos acompanhados por um cardume de mais ou menos 30 golfinhos
que nos davam boas vindas ao local.
Infelizmente as duas máquinas fotográficas digitais
a bordo não conseguiram registrar este momento mágico.
Talvez tivesse dado um "tilt" nos fotógrafos que
não sabiam se corriam para ver os golfinhos ou se corriam
para pegar a máquina... totalmente compreensível!
Chegando lá pudemos abastecer o nosso tanque de água
doce e comprar gelo em lascas para poupar um pouco a energia consumida
pela nossa geladeira elétrica.
À noite jogamos ferro ao lado de outros veleiros de amigos
meus, que por coincidência lá já estavam ancorados
há alguns dias.
Entre eles a Ana e o Yukio a bordo do Astrolábio.
De manhã zarpamos para a Praia do Sítio Forte ( S
23o 17,5' e W 44o 07,3') na Ilha Grande.
Batia pouco vento e muito Sol ... Marcus Paulo sob um delírio
da vertigem, avistava uma laje no lugar da marola formada por uma
lancha que navegava distante... fazer o quê?
Ao chegar, encontramos muitas lanchas fazendo marolas, jet skis,
iates de 80 pés e poucos veleiros...
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Fizemos
um breve mergulho livre e logo fomos embora... afinal procurávamos
sossego!
Chamei pelo VHF outros amigos da ABVC (Assoc. Brasileira de Velejadores
de Cruzeiro) que estavam na região, mas não obtive resposta,
uma pena!
Partimos rumo ao Saco do Bananal e tivemos uma surpresa: era uma praia
povoada só por descendentes japoneses.
Um verdadeiro “Bairro da Liberdade” caiçara.
Quando eu perguntei a um local o por que de tantos japoneses, ele
me explicou que o seu avô ao chegar do Japão trouxe o
restante da família.
A mesma se expandiu e lá já estão por quatro
gerações ... impressionante!
No dia seguinte, nos despedimos de dois amigos da tripulação
que teriam que trabalhar na quinta e na sexta feira... êêê
laiá....
Eu e o Nando continuamos no Boldró.
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Ainda
no Bananal, visitamos uma operadora de mergulho chamada Angramar (cel.
(024) 7834.8777 - Kazuo).
Foi com eles que eu me informei sobre alguns passeios de mergulho
e entre estes está o do helicóptero (8 m.) e o da Ilha
de Queimada Pequena (12 m.).
O helicóptero pertencia ao dono da Hotel da Glória,
que ao cair, fez vitimar apenas o piloto.
Depois, a aeronave foi vistoriada em terra pela seguradora e naufragado
propositadamente na entrada da enseada.
Ambos mergulhos tem muita vida e a visibilidade, no dia a mesma chegava
a 20 m.
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Tartarugas
grandes se aproximaram curiosas, o lugar é muito bonito.
A manhã seguinte, brilhou com muito vento, mais precisamente
20 nós aparentes conforme a estação de vento
do veleiro.
Içamos ansiosos a vela e seguimos em uma orça fechada
até a entrada do Saco do Céu.
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Entramos com
cautela, afinal o Saco do Céu é um esconderijo na
Ilha Grande.
Ao passar pelo estreito canal de entrada, deve-se tomar cuidado
com as pedras de ambos os lados.
Para que chega, no centro do saco à esquerda, aflora uma
pedra que fica visível apenas na maré baixa.
Vale a pena chegar com baixa velocidade e estudar a carta da região
antes de entrar.
Apesar de todos os perigos, é um excelente abrigo e refúgio
de ventanias.
Ao chegar, chamamos pelo rádio o Taxi-boat do bar Coqueiro
Verde.
Lá comemos uma porção de mariscada não
muito bem vinda para o Nando que preferiu ficar só na cerveja
e na torrada com vinagrete.
Pernoitamos por lá e no dia seguinte iniciamos a nossa volta
partindo rumo a Ilha dos Macacos.
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Após
jogar o ferro pude avistar um lindo veleiro clássico branco
todo construído em madeira que por alí pernoitava.
Pouco tempo depois pude identificá-lo como sendo o Tocorimé
(www.tocorime.net/porthome/), uma verdadeira obra de arte.
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Colocamos
as máscaras e mais uma vez mergulhamos dando a volta na ilha,
a visibilidade continuava incrível.
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Z.arpamos
de lá no motor e assim prosseguimos até sair da sombra
da Ilha Grande.
Afinal, uma enorme parede nos abrigava do vento.
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Ao
ganhar distância, a brisa se transformou em vento e logo estávamos
velejando a 6 nós rumo a Ilha do Mantimento (S 23o 11' e
W 44o 39') com todo o pano.
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| Chegando
em Paraty passei pelo Saco do Jurumirim e depois retornamos para
a Marina Porto Imperial aonde tomei uma merecida chuveirada de banho
quente e água doce.
Esta simples chuveirada valeu ouro e me fez lembrar de uma passagem
que eu recebí de minha amiga Cathy, aonde dizia:
" Um homem precisa viajar, por sua conta,
não apenas por meio
de estórias, imagens, livros ou TV".
Precisa viajar
por si, com os seus olhos e pés para entender o que é
seu, para um dia plantar as suas próprias árvores
e dar-lhes valor, conhecer o frio para desfrutar do calor, e o oposto;
sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio
teto.
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Um
homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar
essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e
não simplesmente como é, que nos faz professores e
doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos
e simplesmente ir ver". Amyr Kink.
Não é mesmo?
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