CALENDARIO
GREGORIANO
lExtrato do Livro
Conceitos
de Astronomia
Editora Edgard Blucher Ltda.
R.BOCZKO
Durante mais
de 1 milênio e meio o calendário Juliano foi o adotado
em grande parte do mundo ocidental.
A data da
Páscoa fora definida utilizando-se a data do equinócio
da primavera fixada no dia 21 de março.
Ora, a duração
do ano Juliano (365,25 dias) era de 0,007801 dias mais longo que o verdadeiro
ano solar (365,242199)
Isso significa
que após cerca de (1/0,007801) =125 anos o verdadeiro início
da primavera se dá a 20 de março e não 21 como
fora definido.
Desde o Concilio
de Nicea em 325 d.C., que impôs o Equinócio da Primavera
Eclesiástica no dia 21 de março, até 1582 quando
reinava o Papa Gregório XIII, haviam passado 1257 anos; se a
cada 125 anos a primavera real se iniciava 1 dia antes do dia definido
eclesiasticamente, em 1257 anos houve um retrocesso de cerca de 10 dias
(1257/125) do equinócio real em relação ao equinócio
eclesiástico.
Já
em 1414, no Concilio de Constança, haviam sido feitas algumas
propostas para a correção dessa defasagem, já que
ela tinha implicações religiosas: o período compreendido
entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa era um período
de abstinência, no qual comer carne era considerado heresia: ora,
mas como a Páscoa era definida em função do equinócio
vernal eclesiástico e este variava em função do
equinócio real, estava-se comendo carne num período em
que, rigorosamente, seria proibido. Foi para corrigir tal "pecado"
que a Igreja resolveu reformular o calendário vigente.
Decomponhamos
a duração do ano solar nas seguintes parcelas:
365,242199
= 365 + 0,25 - 0,01 + 0,0025 - 0,000301;
podemos escrever
as frações decimais em ordinárias:
1 ANO SOLAR
˜ 365,242199 ˜ 365 +1/4 + 1/ 100 + 1/ 400 + 1/ 3300
onde o sinal
˜ advém da imprecisão da última parcela, que
na época (1582), desconheciam.
Assim, o Ano
Gregoriano foi definido como sendo aquele cuja duração
era de
ANO GREGORIANO
= 365 + 0,25 - 0,01 + 0,0025 = 365,2425 dias.
Mas, essa
melhoria no conhecimento da duração do ano não
seria suficiente para regularizar o calendário se não
se acertasse também sua origem, de modo que se recoincidisse
o dia 21 de março, adotado para a definição da
Páscoa, com o real equinócio da primavera.
A Reforma
Gregoriana ao calendário Juliano, que deu início ao Calendário
Gregoriano, sob a orientação do astrônomo Lélio,
e sob o pontificado de Gregório XIII, imposta em 1582 da era
Cristã, consistiu no seguinte:
a) - omissão
de 10 dias na contagem do mês de outubro de 1582, de modo que
à quinta-feira, dia 4, seguisse a sexta-feira, dia 15 (com isso
recoincidia-se o equinócio da primavera com o dia 21 de março);
b) - os anos
da era Cristã que fossem múltiplos de 100 (anos Centenários)
deixariam de ser bissextos, exceto quando fossem também múltiplos
de 400 (com isso retirava-se 1 dia a cada 100 anos, e adicionava-se
1 a cada 400 anos);
c) - adoção
de uma regra extra no fixar da Páscoa, de modo que ela nunca
ocorresse antes de 22 de março e nunca após 25 de abril:
"A
Páscoa ocorre no 1° domingo após a Lua Cheia Eclesiástica
(13 dias após a Lua Nova Eclesiástica, definida segundo
o ciclo metônico) que ocorre após ou no Equinócio
da Primavera Eclesiástica (21 de março);caso o dia assim
definido esteja além de 25 de abril, a Páscoa ocorre no
domingo anterior; caso a Lua Cheia Eclesiástica ocorra no dia
21 de março e esse dia seja domingo, a Páscoa será
no dia 25 de abril".
Devido a essas
definições, a Páscoa nem sempre ocorre no mesmo
dia em que ocorreria se sua definição fosse puramente
astronômica.
Deve-se salientar
que o Calendário Gregoriano não foi aceito por todos os
povos ocidentais ao mesmo tempo. Alguns paises aceitaram-no quando de
sua imposição, ou seja, no dia (5 de outubro do calendário
Juliano) 15 de outubro de 1582 no calendário Gregoriano: Polônia,
Portugal (Brasil), Espanha e parte da Itália. 0utros paises adotaram-no
mais tarde: lnglaterra (1752), Japão(1873), Rússia (1918),
Turquia (1927), etc.