|
Astrolábios
e Navegação Astronômica Em meados do século X, os sultões omeíadas de Córdova, em Espanha, estabeleceram laços científicos com os sultões buíadas iranianos de Shiraz. Desse modo, o conhecimento do astrolábio planisférico foi levado até à Península Ibérica. No final do século X, e a partir de Barcelona, os monges beneditinos - entre os quais se contava Gerbert d’Aurillac, sábio matemático da escola de Córdova, futuro papa Silvestre II - transportaram o astrolábio planisférico para a Reims, Chartres, Liége e Reichenau. A partir do século XIII, o interesse demonstrado pelo imperador Frederico II e pelo rei Afonso X de Castela, faz com que o astrolábio seja desenvolvido em Toledo e na Sicília e que o seu uso se propague, através dos conhecimentos de sábios judeus de Montpellier, Marselha e Toulouse, por todo o mundo latino. O aspecto e a função
do astrolábio planisférico - utilizado para a determinação
a identificação de estrelas, para a medição
da sua altura bem como para o cálculo das horas de nascente e
poente dos astros ou da determinação das horas das orações
- mantiveram-se essencialmente inalteradas ao longo de 600 anos. O astrolábio náutico Quando os navegadores portugueses começaram a se afastar da costa, nos finais do século XIV, e deixaram de ter pontos de referência na topografia costeira, sentiram necessidade de recorrerem a métodos astronômicos para a determinação da sua latitude. Em primeiro lugar, simplificaram de tal modo o astrolábio planisférico que o instrumento então criado adaptou o nome de quadrante náutico. Como o próprio nome indica, esta ajuda à navegação é constituída por um quarto de circulo em madeira que tem, em cada uma das suas arestas, duas pínulas. Cada uma delas tem um orifício, que permite visar o astro que está a ser observado e um fio de prumo que indica, numa escala que vai de 0º a 90º, a distância zenital desse mesmo astro. A mais antiga representação de um quadrante náutico conhecida foi executada, em 1525, pelo cartógrafo português Diogo Ribeiro, que trabalhou para o rei de Espanha. A mais antiga referência documental, feita pelo navegador Diogo Gomes, data de 1460. O quadrante, usado até ao século XVIII, foi considerado obsoleto a partir da introdução de um novo tipo de instrumento de navegação, o astrolábio náutico, que do astrolábio planisférico apenas retinha a capacidade de medir ângulos no plano vertical. Ao contrário do astrolábio planisférico, muito delicado, o astrolábio náutico era muito robusto e pesava vários quilos, de modo a que a sua verticalidade se mantivesse durante as observações, independentemente do balanço do navio. Para além de serem feitos de bronze - material bastante resistente à corrosão marinha - os astrolábios náuticos possuíam aberturas na sua superfície, para que fossem afetados os menos possíveis pelo vento. A primeira referência documental que existe, relativa ao uso de um astrolábio a bordo de um navio é feita por Diogo de Azambuja, em 1481. A qualidade de fabrico e de regulação dos astrolábios náuticos era atestada pelo Cosmógrafo-Mor, cuja missão era a de examinar os fabricantes de astrolábios e de lhes passar cartas de mestre. Com o astrolábio, os pilotos passaram a poder comparar as alturas da Estrela Polar, começando pelo ponto de partida e passando por vários pontos ao longo da viagem. Passado o Equador, em 1471, a ausência da Estrela Polar levou a que os pilotos portugueses elaborassem, em 1484, uma tabela de declinações solares, o que lhes permitiu saber não só a latitude, mas também a única hora do dia de que poderiam ter a certeza: o meio-dia. "Pesar o Sol", como era costume dizer-se, não era tarefa fácil. Com efeito, era necessário esperar até que o Sol atingisse o meridiano não sendo, contudo, preciso que se observasse a linha do horizonte, ao contrário do que acontecia num astrolábio planisférico. O piloto segurava o astrolábio náutico por uma argola superior, à altura da cintura, e ajustava a medeclina de modo a que um raio de sol entrasse por uma abertura diminuta na sua parte superior e se projectasse numa outra abertura, na sua parte inferior. A leitura fazia-se então, no semicírculo graduado que existia na parte superior do astrolábio, obtendo-se depois, após algumas conversões, a latitude do lugar. Em 1664, Hooke transforma o astrolábio, adicionando-lhe um jogo de espelhos capaz de permitir a mirada simultânea do Sol e da linha do horizonte. Cinco anos mais tarde, Newton reduz-lhe o semicírculo graduada para um oitavo de círculo. Em 1742, Hadley transforma ainda mais o astrolábio e, finalmente, em 1757, o octante passa a ser um sextante e Campbell inventa um dos mais conhecidos instrumentos de navegação jamais existentes que, afinal, não passa de um astrolábio um pouco mais sofisticado. Todos os astrolábios
oficialmente declarados e reconhecidamente autênticos são
catalogados e inventariados pelo Departamento de Navegação
e Astronomia do National Maritime Museum de Greenwich, na Inglaterra.
Os últimos três a serem descobertos, números 78,
79 e 80, foram em São Julião da Barra, na escavação
promovida pelo Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática
do Instituto Português de Arqueologia, no que se julgam ser os
restos da nau da Carreira das Índias Nossa Senhora dos Mártires,
afundada em 1605. O Astrolábio O astrolábio é um antigo instrumento astronômico, hoje em dia obsoleto, que teve muita importância na astronomia, principalmente na astronomia náutica, quando os astros visíveis no céu constituíam o principal referencial dos primeiros grandes navegadores. O modelo mais antigo, astrolábio planisférico, foi provavelmente inventado pelos gregos ou alexandrinos, em aproximadamente 150 a.C., e mais tarde aperfeiçoado pelos árabes.
O astrolábio também era usado na agrimensura, para se conhecer, por exemplo, a altura de uma montanha a partir do cálculo do ângulo formado por sua sombra. Observe a figura abaixo.
O astrolábio usado pelos navegadores foi desenvolvido a partir desse instrumento primitivo, divulgado na europa pelos árabes. Foi muito utilizado no séc. XV como instrumento de navegação, principalmente pelos portugueses e espanhóis durante o ciclo das grandes navegações. Era usado para medir a altura do Sol ou de uma estrela durante alguma viagem no meio do oceano, de maneira a se determinar a latitude. Era suficientemente pesado para continuar pendurado na posição vertical apesar do balanço do navio. Quando os cálculos astronômicos foram se tornando mais exatos e com a invenção do quadrante no séc. XVII, o astrolábio tornou-se obsoleto.
|