ENSINANDO
NUM CRUZEIRO
continuando - Parte XIII
Caros amigos, estive participando da regata Eldorado-Brasilis,
como comandante do veleiro Scene-Schatzy, mas estou em terra novamente.

O veleiro
Schatzy é um Beneteau 36,e é o que está
ao meio da foto
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Sobre nossa viagem:
O dia estava claro e já estávamos avistando a Ilha de
Alcatrazes.
Este era nosso Waypoint (ponto de chegada).
Em todos esses dias que se passaram nunca a tripulação
do veleiro estave tão calma.
Gerard, na roda de leme, disse sem intenção nenhuma:
“imagine se pescássemos um belo peixe para o almoço!”.
Rapidamente o Nene apareceu com sua caixinha de pesca, que só
faltava rodinha, como aquelas malas que são tão grande
e pesadas que só com rodinha para transportar.
A minha expectativa era ver o que tinha dentro. Ele abriu e tomou quase
todo o espaço do cokpit, tinha tanta diversidade de material
de pesca, que o Gerard perguntou, brincando, se ele tinha anzol para
pescar cavalo-marinho, ele respondeu que pescava cavalo-marinho com
uma redinha, e a mostrou!
Acho que se fosse vendida aquela "caixinha" de pesca do Nene
em quantidade, várias espécies aquáticas começariam
a ficar em extinção.
Como
entendido no assunto ele começou a explicar que a rapala,
a isca que parece um peixinho, tinha que ter a cor parecida com
a cor da água, e que ia colocar uma isca para pegar um Atum.
Retirou da caixa vários daqueles peixinhos e foi comparando
com a corda água até achar um que o satisfez. Será
que o peixe ia entrar nessa? |
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Para completar,
ligado a "caixinha" havia uns tubos com vários tipos
de varas de pesca, tipo telescópio, ele escolheu uma, mas acho
que nesse caso a cor não ia influenciar...
As carretilhas estavam na parte de traz da "caixinha" e também
foi escolhida uma minuciosamente. Depois de uma hora estava montada
a máquina de pescar, agora é era só tirar os temperos
da prateleira e aguardar...
Estávamos nos distanciando da ilha Montão de Trigo e achei
necessário marcar nossa posição na carta, pois
na nossa frente estava se formando nuvens Cumulus que poderiam acarretar
chuva intensa.
No
caso de chuva intensa se perde toda a visibilidade
e se o GPS parar de funcionar (olha a guerra eminente!) poderíamos
ter problemas.
Apesar de se ter o rumo magnético de Alcatrazes, por estarmos
velejando sob o efeito das correntes, poderíamos nos afastar
do ponto de chegada.
No visual tínhamos só a ilha Montão de Trigo,
e aí vale a pergunta: como determinar
uma posição na carta tendo somente um ponto notável?
Estava previsto que faria uma medida de posição no
meio do trajeto para mostrar como utilizar
o sextante como instrumento de navegação costeira.
Inicialmente vou apresentar o sextante, que nada mais é que
um medidor de altura e na próxima coluna o utilizarei como
um determinador de posição. O
sextante é um instrumento destinado a medir ângulos
astronômicos ou geográficos.
A invenção do sextante substituiu o antigo astrolábio,
aos quais suas medidas de alturas eram dificultadas pelo balanço
do barco, e ainda hoje, apesar do grande desenvolvimento da navegação
oceânica á base de ajudas eletrônicas, o sextante
é ainda um instrumento indispensável à navegação
e também um elemento de segurança preventiva contra
as falhas possíveis da parafernália eletrônica.
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sextante Davis
Mark-25 - plastico |
Estávamos numa situação que tudo parecia
estar sob controle, o Nenê com suas varas de pescas todas armadas
(quatro, pois naquele veleiro tudo tinha que ser exagerado) onde cada
uma tinha como objetivo um tipo de peixe diferente.
Dourados
, corvinas , bicudas e atuns que se cuidem pois lá vamos nós,
isto é o Nene.
Como tinha
a intenção de tirar uma posição com o auxílio
do sextante, não estava muito ligado na pescaria.
Entrei para procurar o sextante, quando estava revirando as malas para
encontrar o sextante, começou uma gritaria lá fora, pensei
: será uma baleia ou como tudo podia acontecer um mastro quebrado
ou alguém caiu na água.......
Saí
ventando para fora e todos estavam no púlpito da popa num grande
desespero, é que um grande atobá
marom tinha confundido a isca do Nene, como sendo um peixe .
Todos estavam
atônitos com a situação, de maneira que ninguém
tomou a decisão de parar o Veleiro.
Gritei : Vamos
enrolar a genoa e dar um bordo para o veleiro parar, pois senão
vamos afogar o Atobá.
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A
grande ave estava sendo arrastada , estava muito agitada mas não
estava tendendo voar.
Finalmente depois de uma grande correria paramos o veleiro e devagar
o Nenê foi recolhendo a linha com aquela bela espécie
se debatendo.
Quando ela chegou perto da popa, ela ficou parada como que esperando
a ajuda.
O Nenê desceu, a pegou pelas mãos e verificou que a
Rapala ( tem um sistema de dois anzóis tipo garateia) estava
presa em uma de suas asas.
Me perguntei, como que uma ave arisca como o Atobá, estava
imóvel só observando.
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Como sabemos, no
veleiro tínhamos de tudo, a Beni correu a pegar a caixa de primeiros
socorros, na qual tinha todo equipamento para mini-cirurgia.
O perigo
O Gerard tinha pensado em fazer uma cirurgia, e por sorte os conhecimentos
de pescador do Nenê entraram em ação.
Tomou um pequeno alicate de corte e cortou os anzóis na base,
e com a ajuda de uma pinça acabou de enfiar o anzol até
poder tira-lo pelo outro lado.
Com toda essa agitação o Atobá ainda continuava
calmo .
O Nenê ainda colocou um desinfetante no local da ferida, portanto
o proximo passo era fazer a ave voar.
Ele levou o Atobá para a proa o lançou para o ar, mas
a tentativa foi em vão, ele caiu na água e ficou boiando
como se não soubesse voar.
E agora o que poderíamos fazer; recolher a ave ou deixa-la boiando.
Ai começou a confusão, o Gerard começou por a culpa
no Nenê e a insinuar que ele nunca deveria pescar numa região
onde essas aves predominam.
O Nenê justificou que ele nunca tinha presenciado esse tipo de
acidente e que iria tomar cuidado e foi logo recolher as linhas das
outras varas.
Eu, em particular, já ouvi inúmeros casos de que gaivotas,
atobás e outros tipos de aves marinhas tenham sido apanhadas
por iscas artificiais.
ALERTA
Quando
se lançar uma isca artificial com o barco em movimento (currico),
verifiquem que nenhuma ave marinha esteja voando por perto. |
O
veleiro estava atravessado , precisávamos voltar ao rumo inicial
,
O Gerard voltou a comandar, foi aberta novamente a Genoa e facilmente
setamos nosso rumo.
Já
não estávamos mais prestando atenção no
Atobá e por nossa surpresa ele voou e pousou no púlpito
da proa.
Inacreditável,
mas estava lá o nosso acidentado pegando uma carona com a
gente.
Acho que ele percebeu que estávamos no rumo da ilha de Alcatrazes,
que certamente seria sua casa.
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foto Flavio
Rodrigues |
Desci de novo para
pegar o sextante, já o tinha encontrado e deixado separado.
Voltei ao convés com a intenção de marcar uma posição
utilizando o sextante.
continua na próxima
coluna....